Novo projeto editorial do grupo MS Business: livros gravados.

Estamos dando início ao resgate da nossa história e pioneirismo na produção de áudio livros, um mercado ainda muito pequeno no Brasil, mas importante para a difusão da literatura, seus criadores e profissionais da voz.

Um novo projeto em desenvolvimento para a produção de obras gravadas de alta qualidade técnica e artística, alternativa para o público acostumado aos livros impressos, em e-books e nas adaptações cinematográficas. Um livro gravado, obviamente atende as pessoas com alguma deficiência visual, porém, ouvir um livro é muito interessante e prático, porque se tem acesso às obras mesmo estando em movimento, ou realizando alguma tarefa. Excelente opção de acesso à cultura..

Amplia-se com essa iniciativa da MS Business uma nova perspectiva de mercado para autores, produtores, sonoplastas, locutores e atores, com a melhor das tecnologias.

Na década de 80 fomos os primeiros a lançar no Brasil os livros gravados.

Em 1985 a MS Business através da sua empresa coligada Áudio Cultural, na época, empresa em sociedade com a Livraria e Editora Francisco Alves – a mais antiga editora brasileira, fundada em 1854 – lançou no mercado brasileiro clássicos da literatura gravados, sendo alguns narrados e a maioria com várias vozes, num estilo discreto que poderia lembrar uma novela radiofônica, mas respeitando integralmente o texto e pontuações originais dos livros..

Os trabalhos no estúdio de gravação eram intensos, envolvendo grande equipe e o tempo de gravação e edição chegava, para cada obra, a durar semanas. Lançamos os Contos de Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle, O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde, obras de Stephen King e de Ray Bradbury, Negro Leo de Chico Anysio e Bufo & Spalanzani do consagrado autor Rubem Fonseca, e outras obras num total de treze grandes produções. Produções que chegaram a ter trinta e seis vozes em uma só obra para interpretar todos os personagens e com o tempo final editado de até seis horas de duração, todas com alta qualidade de produção e sonoplastia, considerando a tecnologia daqueles anos.

 Gerou muita polêmica.

Considerando o mercado –  estamos lembrando a década de 1980! – os lançamentos impactaram o meio literário e livreiro provocando na época certa polêmica quanto ao inusitado meio de acesso à literatura, cultura e conhecimento. Os livros gravados da Áudio Cultural geraram discussão pelo confronto entre se ouvir um livro e a sua leitura, alguns achando interessante e outros questionando se desestimularia a leitura de livros. Deu o que falar.

Era o novo surpreendendo, tanto quanto ocorreu em nossos dias com o surgimento dos livros digitais – EBook – que igualmente trouxeram inovação e alguma discussão quando passaram a ser comercializados no início da década de 2010.

A tal polêmica foi boa para os negócios da Áudio Cultural que, apesar da rejeição da maioria das livrarias, houve muito interesse do comércio que viu a oportunidade da novidade impulsionar as vendas dos aparelhos de som, os portáteis,  gravadores, walkman, toca-fitas para carros e outros modelos reprodutores de fitas cassete.

Houve forte apoio do Mappin – a maior  loja de departamentos do Brasil, em faturamento e rentabilidade – que pediu exclusividade de lançamento. Foi uma decisão estratégica pela força de divulgação que tinham e pelo endosso de tão importante varejo. Foi anunciado em páginas inteiras nos principais jornais de São Paulo, vitrines da loja e promoções internas. Sucesso!

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